Comunicação

24/03/2016

Refletindo a crise

Coluna semanal do engenheiro e empresário da construção civil, Wagner Breckenfeld, Vice-presidente de Relações Públicas do Sinduscon/JP

Os resultados da crise aparecem em números: Produtividade e consumo em baixa e desemprego e inflação em alta; estes são frutos da degradação ética, política e econômica que estamos vivenciando.

O mercado já não tem mais credibilidade nenhuma na política econômica do governo, e isto fica evidenciado através dos recentes manifestos da Confederação Nacional Indústria e da Federação das Indústrias dos Estados, que abordam o grave aprofundamento da crise e a falta de medidas, que sinalizem um norte para retomada do crescimento.

A sociedade civil e o setor produtivo acreditam e pedem urgência e espírito de grandeza na tomada de decisões e medidas por parte da nossa Suprema Corte, do Congresso Nacional e do Governo, pois esse cenário precisa ser, urgentemente, revertido na busca de um futuro promissor para nossa nação.

Tivemos o pior fevereiro dos últimos 25 anos no que diz respeito à quantidade de postos de trabalho perdidos, totalizando 104 mil demissões. Além disto, a situação se agrava pela queda de quatro pontos percentuais na capacidade industrial instalada, em relação ao mesmo período de 2015, permanecendo pelo terceiro mês consecutivo em seu patamar histórico de 62%. 

A situação no setor da construção civil não tem sido muito diferente disto, contudo, mesmo com números desanimadores, estamos menos pessimistas e continuamos acreditando na retomada deste importante mercado.

O índice de evolução do nível de atividades saiu de 33,2 pontos em janeiro para 35,6 pontos em fevereiro, mostrando uma ligeira alta. Com relação ao emprego saímos de 33,8 pontos para 35,5 pontos, lembrando que numa escala de 0 a 100, valores inferiores a 50 pontos indicam perspectiva de queda.

A decisão do Governo Dilma e seu ministro Nelson Barbosa, de encaminhar ao Congresso Nacional um projeto de lei beneficiando o alongamento no prazo da dívida dos Estados e do Distrito Federal com a União, de 2027 para 2047, e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social para dez anos, ameniza e protela o estado de agonia da economia dos Estados, em consequência da perda de receitas com a crise. O dado importante desta decisão é a exigência de uma Lei de Responsabilidade Fiscal a ser aprovada pelos Estados e o Distrito Federal, junto às respectivas assembleias legislativas, que proíbem incentivos fiscais e contratação de novos servidores.

Outro fato positivo, é a garantia do ministro Nelson Barbosa da manutenção das reservas internacionais, evitando assim, problemas nas contas externas e um possível retorno ao FMI, proporcionando mais autonomia e flexibilidade no controle da nossa economia.

Os números do IBGE

A taxa de desemprego de 8,2% apurada pelo IBGE em fevereiro é a maior para os meses de fevereiro desde os 8,5% de 2009. Esse resultado é 2,4% superior ao percentual de desocupação de fevereiro de 2015: 5,8%. Segundo o órgão de estatística, é o maior avanço anual para o mês de toda a série histórica iniciada em março de 2002.

Carteira assinada

O IBGE também informou que os dados indicam que o número de trabalhadores com carteira de trabalho assinada no setor privado não apresentou variação na comparação mensal, permanecendo em 11,4 milhões. No entanto, quando se compara a fevereiro de 2015, há queda de 4,1% no emprego formal, redução de 488 mil pessoas com carteira assinada no setor privado. Essa situação preocupa porque resulta no aumento da informalidade e, por consequência, na queda da renda.

PAC desacelerou

O Programa de Aceleração do Crescimento – PAC- concentrava as obras de infraestrutura executadas pelo Governo Federal diretamente ou em parceria com estados e municípios. Mas, a freada foi grande. Ainda se está na expectativa que as parcerias público-privadas aliviem o freio dado. Enquanto isso, recente decreto publicado no Diário Oficial da União transferiu a Secretaria do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG) para a Casa Civil. Ainda de acordo com o texto, o MPOG prestará apoio administrativo à Casa Civil até que haja adaptação das estruturas das duas pastas envolvidas. Além disso, o mesmo decreto também transferiu a Secretaria do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Casa Civil para o Gabinete Pessoal da Presidência da República.

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