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Colóquios sobre o desenvolvimento

por Irenaldo Quintans



No endêmico vácuo de idéias que assola a administração pública, tanto na Paraíba como no Brasil, merece atenção a discussão sobre os rumos econômicos do nosso Estado, iniciada terça-feira última pelo secretário de Planejamento e Gestão, Franklin Araújo. E, aqui, me penitencio pelo meu ceticismo inicial: não esperava um diagnóstico tão acurado e de largo alcance cronológico quando fui entrevistado, há alguns meses, por um pesquisador da consultoria contratada para tal fim. Respondi ao que me foi perguntado, sobre o setor que represento, com a sensação de que, mais uma vez, estava dando minha modestíssima contribuição para ninguém.

Todavia, o secretário, cuja competência e senso empresarial parecem ser uma unanimidade dentro e fora do governo, há de me desculpar pela pressa no julgamento: faz muito tempo que não se planeja o longo prazo por aqui. Quiçá desde os meados do século passado, com os planos plurianuais. As questiúnculas do dia-a-dia tomam conta de corações e mentes, concedendo aos bons planejadores, quando muito, antever o amanhã pela manhã. À tarde, já é futuro; a Deus pertence. E nossas expectativas pouco a pouco vão sendo tragadas pela inércia, como água em terra esturricada. Desta feita, da platéia, com o peito enfunado de orgulho, senti o solo retendo umidade, segurando os nutrientes, e antevi as sementes que podem brotar desses colóquios, aparentemente – só aparentemente – acadêmicos em demasia. Mas não é que estamos, enfim, pensando a Paraíba do futuro?

Sob a inspiração do Universo Armorial e do olhar paternal de Lynaldo Cavalcanti, “honoris causa” de todos os esforços contemporâneos de desenvolvimento empreendidos nestas plagas, altas inteligências conterrâneas, ainda que telegraficamente, debruçaram-se sobre o passado e discorreram sobre o que nos espreita no futuro, para o bem e para o mal. Cenários, hipóteses e probabilidades. Difícil recolher tudo isso. Sintetizar em um único artigo, impossível. Destaco, a seguir, por diletantismo, pedindo perdão pelos equívocos, a idéia central de alguns debatedores. Eduardo Ribeiro Coutinho, usineiro e economista (não sei se nesta ordem), sapecando de erudição o pragmatismo, defendeu, para se alcançar os objetivos maiores delineados pelo estudo, o estabelecimento de, digamos, submetas, palpáveis, inter-relacionadas e focadas em potencialidades específicas, a exemplo da criação de uma grande zona de exportação livre de tributos. Cláudio Marinho, patoense da gema, ex-gestor público no vizinho Pernambuco, desenvolveu a sugestiva idéia de “economias siamesas” e encantou a assistência desenhando a utópica figura do Estado “eficiente e sofisticado”. Sílvio Meira, dono de um humor finíssimo, como convém a um nativo de Taperoá, centrou sua perspicácia na importância do investimento em educação e no tamanho do Estado que desejamos, e mais do que isso, que precisamos. Por fim, mas não menos importante, Cláudio Porto, candango da serra da Borborema, trouxe a lume as duas afirmativas incontestes – faces de uma mesma moeda - mais reveladoras de todo o simpósio: primeiro, é o capital privado que promove o desenvolvimento; segundo, a economia paraibana depende umbilicalmente do setor público, único motor do seu PIB. A convicção geral, contudo, opinião compartilhada por todos e abordada por cada um, foi a de que a Paraíba não retém, por incompetência, os muitos cientistas que forma. É, no dizer de Lynaldo, “a Índia do Nordeste”, exportadora de doutores e pós-doutores.

Para um economista de formação, como este articulista, uma tarde assim é um sonho; um grande desafio a ser vencido. Para um cidadão paraibano, a esperança de dias melhores. Sim, porque podemos até não conseguir bater as ousadas, porém realistas, metas sugeridas – aliás, com base na européia Santa Catarina. No entanto, degraus serão galgados, etapas serão queimadas, paradigmas serão derrubados no percurso.

O que importa agora, imagino eu, é recolocar esta prioridade: com planejamento, é possível desenvolver-se ou não, de acordo com a competência dos atores; no improviso, nem com toda a competência do mundo! Prossigamos, portanto, com os salutares debates, caro secretário Franklin.

PUBLICADO NO JORNAL O NORTE EDIÇÃO DE DOMINGO, 11/10/2007


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