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Engenheiros e arquitetos da Caixa discutem soluções para habitação
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Soluções para facilitar o cumprimento de programas governamentais dependem de melhorias em tecnologia, avaliação técnica, arquitetura e planejamento
Engenheiros e arquitetos da Caixa Econômica federal, o setor público e acadêmico se reuniram entre os dias 11 e 13 de maio, em Porto Alegre, para debater soluções para facilitar o cumprimento das metas de programas como o "Minha Casa, Minha Vida" e o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).
A partir da temática "O Desafio de Transformar um País", os profissionais que participaram do IV Encontro Nacional da Aneac (Associação Nacional dos Engenheiros e Arquitetos da Caixa Econômica Federal) discutiram tecnologia, avaliação técnica, arquitetura e planejamento, temas apontados como determinantes para o cumprimento dos projetos governamentais de forma positiva para a cidade, e com qualidade construtiva.
Tecnologia
O arquiteto e professor da FAU-USP (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo), Nabil Bonduki, apontou a questão da aprovação lenta e burocrática de novas tecnologias e materiais na Caixa como um dos principais elementos impeditivos para a evolução dos programas governamentais. "Existe uma barreira para que certas mudanças na tecnologia sejam aceitas, prejudicando a qualidade e o barateamento da construção", afirmou Bonduki. De acordo com ele, é preciso investir em inovação tecnológica, envolvendo o banco, as universidades e o poder público.
"Caberia pensar em um órgão mais ágil que pudesse canalizar essas inovações junto às iniciativas privadas e entidades", complementa Nelson Costa Fossati, professor da PUC-RS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul). "As universidades poderiam ajudar na acreditação de novos materiais e nas pesquisas de inovação tecnológica. Com isso, as empresas teriam a possibilidade, por exemplo, de testar um determinado sistema nas faculdades de engenharia e arquitetura", sugere.
Além de agilizar o andamento dos programas, os especialistas defenderam novas tecnologias para garantir também a melhor qualidade dos produtos. "Precisamos ter um sistema de avaliação técnica reconhecido nacionalmente, que permita, por um lado, que boas inovações sejam aceitas e, por outro, proteger os usuários de gambiarras", defendeu Carlos Torres Formoso, professor do Norie (Núcleo Orientado para a Inovação na Edificação) da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul).
Arquitetura consciente
O arquiteto e urbanista Luiz Carlos Toledo, professor da UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro), lembrou no evento o papel e a importância da arquitetura na satisfação dos usuários e fortalecimento do programa "Minha Casa, Minha Vida". Ao estudar as condições de moradia da população da favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, Toledo percebeu que as habitações vendidas pela Caixa na região não atendiam as necessidades dos usuários.
"Os apartamentos da Caixa têm em média 40 m², abrigando dois quartos, sala e cozinha. Nesse espaço não cabiam as coisas que os moradores da Rocinha tinham. Então, poucas pessoas manifestaram interesse pelos imóveis", conta Toledo. "No Brasil, a gente tem muitos programas que não atendem à realidade. Na verdade, a realidade é que tem que se ajustar aos programas. Isso não é qualidade", continua.
Para Bonduki, é preciso inovar com relação à arquitetura das moradias. "As empresas propõem a mesma coisa para os imóveis porque é mais fácil e rápido de aprovar na Caixa. Os agentes promotores tendem a fazer a mesma coisa para facilitar. E isso vem do sistema de avaliação. Tem que ter um sistema que funcione", afirma.
Na opinião de Toledo, um bom caminho para atender ao programa com sustentabilidade são os grandes empreendimentos, hoje pouco executados. De acordo com ele, porém, ao contrário de prédios semelhantes, é preciso apostar na diversidade. "Os empreendimentos deveriam ter, em um único prédio, apartamentos duplex, de um pavimento, com 2 e até 4 quartos. É preciso fazer uma aposta nessa diversidade arquitetônica e na diversidade social. Só assim não serão criados novos enclaves na cidade", finaliza o professor.
Fonte: PINIWeb